Antes de escreverO que é uma carta de apresentação
Você terminou o currículo, abriu o formulário da vaga e encontrou um campo chamado "carta de apresentação" ou "mensagem ao recrutador". Em branco, sem instrução nenhuma.
É nesse ponto que a maioria das pessoas faz uma de duas coisas: escreve um texto formal que repete o currículo em prosa, ou deixa vazio.
A carta de apresentação serve para uma coisa que o currículo não faz bem: explicar contexto. Por que essa vaga, por que essa empresa, e o que liga o seu histórico ao que está escrito na descrição. É um texto curto que acompanha a candidatura e conecta o seu histórico à vaga específica. Não é um resumo do currículo. É o complemento dele.
Carta de apresentação, carta de motivação e cover letter
Os três termos aparecem com frequência e podem se sobrepor, mas o uso depende do contexto. No Brasil, "carta de apresentação" é o termo mais comum em processos de emprego. "Carta de motivação" costuma aparecer em contextos acadêmicos, como candidatura a curso, bolsa ou intercâmbio, e nesses casos o conteúdo esperado é diferente. "Cover letter" é o termo usado em processos de empresas de fora e, nesse contexto, corresponde de perto ao que chamamos de carta de apresentação.
Quando enviar e quando não forçar
Nem toda candidatura precisa de carta. Escrever uma quando não há nada útil a acrescentar consome tempo e não melhora nada.
Vale escrever ou preencher quando:
- O empregador pede a carta de forma explícita.
- A candidatura tem um campo de mensagem opcional e você tem contexto útil para acrescentar.
- Você está mudando de área e precisa explicar a ligação entre o que fez e o que a vaga pede.
- Existe uma lacuna ou uma trajetória menos óbvia no seu histórico que fica melhor com explicação.
- A candidatura é espontânea ou direta, e você precisa explicar por que está entrando em contato com aquela empresa.
Não force quando:
- A candidatura não pede e não oferece espaço para isso.
- O texto seria apenas uma repetição do currículo em outras palavras.
- Você não tem nada de útil a acrescentar além do que já está no documento.
O critério é simples: a carta acrescenta informação que não cabe no currículo? Se sim, escreva. Se não, o tempo rende mais ajustando o próprio currículo para a vaga.
A espinha do textoA estrutura de uma carta de apresentação
Quase toda carta que funciona tem a mesma espinha:
01Abertura e contexto
Qual vaga, onde viu, e uma frase que já indica o encaixe.
02Por que você serve
Um ou dois exemplos concretos ligados ao que a descrição pede.
03Por que essa empresa e essa vaga
O que chamou a sua atenção, em termos específicos.
04Fechamento
Disponibilidade e próximo passo, sem rodeio.
É uma estrutura, não um formulário. A ordem pode mudar. O que não muda é a lógica: contexto, evidência, interesse, encerramento.
Tamanho: quanto é suficiente
Para a maioria das candidaturas, uma carta curta, que caiba com folga em uma página, é mais fácil de ler. O objetivo é acrescentar contexto útil, não repetir o currículo.
Como orientação prática, e não como regra: três ou quatro parágrafos costumam dar conta quando a carta é anexo. Quando ela vai em um campo de formulário ou no corpo de um e-mail, funciona ainda mais curta, entre três e cinco frases.
O teste que vale mais do que contar palavras: leia o que escreveu e pergunte se cada parágrafo acrescenta alguma coisa. O que não acrescentar, corte.
Parte por parteComo escrever cada parte, na prática
A abertura, sem "venho por meio desta"
A primeira frase deve ajudar a pessoa a entender rapidamente qual é a vaga e por que o seu histórico merece atenção. Formalidade vazia ocupa espaço sem acrescentar contexto.
Diga qual vaga é, onde você viu, e já sinalize o encaixe. Três informações em uma ou duas frases. Se alguém indicou você, ou se você conversou com alguém da empresa antes, vale mencionar isso logo no início quando for relevante.
Por que você serve para a vaga
Esta é uma das partes mais úteis da carta, porque liga o seu histórico ao que a vaga pede. O erro é listar qualidades. O acerto é mostrar uma situação.
Pegue a descrição da vaga, escolha os dois ou três pontos centrais, e para cada um traga uma situação real em que você fez aquilo. Não precisa ser grande. Precisa ser específico.
Se você quer entender melhor como identificar o que tem para oferecer antes de escrever, o guia de habilidades para currículo ajuda a separar o que é genérico do que é demonstrável.
Por que essa empresa e essa vaga
Faça uma pesquisa curta no site da empresa e releia a descrição da vaga com atenção. Procure um motivo específico e verdadeiro para explicar o interesse.
O que você procura é uma conexão real, não um elogio. "Admiro os valores da empresa" não diz nada e qualquer pessoa poderia ter escrito. "Vi que vocês atendem clientes em fusos diferentes, e foi exatamente esse tipo de organização de agenda que eu fazia na clínica" diz que você leu.
Se não encontrar nada específico para dizer, é melhor pular este parágrafo do que preenchê-lo com elogio genérico.
O fechamento
Curto. Disponibilidade para conversar, menção ao currículo em anexo se houver, e despedida. Não peça desculpa pelo tempo da pessoa. Não repita tudo o que já foi dito. Não use superlativo.